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Política da Igreja Sobre Abuso É Errada

Testemunha de Jeová Expulsa Cita Conspiração Para Ocultar Ofensas


Por LAURIE GOODSTEIN

     Willian [Bill] Bowen sempre se considerou uma Testemunha de Jeová devota. Quando criança, sentia ser sua obrigação ir de porta em porta passando adiante as revistas da igreja, A Sentinela. Mais tarde, como um ancião da sua congregação de Kentucky, ele disse que achou ser sua obrigação informar aos oficiais da igreja que um co-ancião havia abusado de uma criança.

     Mas, quando o Sr. Bowen contactou os escritórios centrais em Brooklyn, ele disse que foi rechaçado. Frustrado pela falta de ação da igreja e por suas diretrizes de confidencialidade que, segundo ele, o impediam de compartilhar o que sabia com outras pessoas, o Sr. Bowen renunciou ao cargo de ancião em dezembro de 2.000. Um ano mais tarde ele começou um grupo para monitorar o abuso sexual de crianças na igreja.

     No final do mês passado, o Sr. Bowen foi excomungado da igreja. Por trás de uma porta fechada, com sacos plásticos colocados sobre as janelas para, segundo ele disse, repelir os espectadores, três anciãos da igreja se encontraram no Salão do Reino de Draffenville, Kentucky, declarando-o culpado de "causar divisões".

     A punição foi a "desassociação", o banimento completo.

     Nos últimos quatro meses, quatro outras pessoas foram expulsas das Testemunhas de Jeová, depois de as terem acusado de acobertarem o abuso sexual de crianças por seus membros. Para o Sr. Bowen e outros críticos das políticas da igreja com relação ao abuso sexual, as expulsões fazem parte de um esforço orquestrado para manter ocultos tais abusos.

     As Testemunhas expulsas dizem que as próprias políticas e cultura da igreja agem para ocultar os abusos. Um grupo de anciãos da igreja, todos homens, se reúnem em segredo para decidir sobre cada caso, um procedimento, dizem os críticos, que evita que os demais membros saibam que existe um molestador no seu meio. Para provar a acusação, uma criança deve ter uma testemunha do incidente, um condição virtualmente impossível de se atender.

     "Esta é uma evidência para o mundo ver como as Testemunhas de Jeová tratam os sobreviventes dos abusos e aqueles que tentam protegê-los", diz o Sr. Bowen. "Eles os silenciam com a ameaça da desassociação!"

     J. R. Brown, diretor do Escritório de Informação Pública da sede, a Watchtower Bible and Tract Society [Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados], em Brooklyn, Nova York, informou que a igreja possui políticas exemplares para lidar com o abuso sexual, as quais se baseiam em normas bíblicas, e têm sido amplamente publicadas nas revistas da igreja.

     "Não estamos tentando dizer que lidamos da maneira correta com todas as pessoas ou que nossos anciãos são todo-sábios ou todo-perfeitos", disse o Sr. Brown, que por questão de ética, declinou de comentar casos individuais, inclusive o do Sr. Bowen. "Mas dizemos que se você considerar o que faz a nossa política para manter a nossa organização moralmente limpa, verá que ela ultrapassa em muito qualquer outra."

     Enquanto a Igreja Católica Romana está sendo engolfada em seu próprio escândalo de abuso sexual, a mesma questão começa a atingir as Testemunhas de Jeová, uma denominação que alega ter um milhão de membros nos Estados Unidos e seis milhões no mundo todo.

     Mas o tipo de escândalo é muito diferente do da igreja Católica, onde a maioria dos acusados são sacerdotes e a grande maioria das vítimas são meninos e rapazes. Nas Testemunhas de Jeová, onde as congregações são freqüentemente formadas por grupos familiares e os anciãos são escolhidos entre o laicado, alguns dos acusados são anciãos e a maioria são membros das congregações. As vítimas que se apresentaram são garotas e jovens mulheres e muitas acusações envolvem o incesto.

     O escopo do abuso entre as Testemunhas de Jeová é um assunto para considerável debate. Recentemente a igreja foi indiciada por oito queixosos, em quatro processos de alegação de abusos, um registrado em Junho, em Minnessotta. O Sr. Bowen diz que seu grupo de apoio às vítimas, o "silentlambs", tem relatório de mais de 5.000 Testemunhas contestando que a igreja não conduziu adequadamente os casos de abuso de crianças.

     A igreja mantém um banco de dados dos seus membros que foram acusados, ou que foram culpados de abuso de crianças. O Sr. Bowen disse que fontes da igreja lhe informaram que os bancos de dados continham os nomes de mais de 23.000 pessoas no Estados Unidos, Canadá e Europa. A igreja diz que o banco de dados é "consideravelmente menor", mas não informa quanto.

     A igreja tem uma diretriz clara para lidar com os casos de abuso sexual de crianças. Os membros que suspeitam de abuso são aconselhados a irem primeiro aos anciãos, que são considerados os líderes morais e espirituais, para quem os membros devem se voltar com seus problemas pessoais. O Sr. Brown disse que o Departamento Legal da igreja aconselha os anciãos seguir as leis nos estados em que é obrigatório o relato às autoridades e nos casos em que parece que as crianças estão em perigo.

     Os anciãos é que devem julgar se alguém cometeu um pecado como o abuso de crianças. Se o molestador confessa e é perdoado, a única notícia dada à congregação é o anúncio de que a pessoa foi disciplinada. Nenhum motivo da disciplina é anunciado. Entretanto, os anciãos reportam ao escritório central o nome da pessoa, de modo que o molestador é impedido de servir em qualquer posição de autoridade.

     "Se a pessoa tiver uma boa conversa, não há absolutamente nenhuma repercussão e ninguém, além dos anciãos, sabe", comentou Jean Kraws, que disse ter ido, anos atrás, aos anciãos de sua congregação no Queens, acusando seu ex-marido de abusar da filha do casal. Ela disse que ele confessou, foi repreendido e ainda é uma Testemunha ativa. "Eles me disseram que ele não era um homem iníquo. Que foi uma fraqueza", disse ela.

     O Sr. Brown, porta voz da igreja, disse: "Vemos tais audiências judiciais como uma extensão de nosso trabalho de pastoreio como ministros. Em outras palavras, estamos ali para salvar a alma das pessoas. Não queremos ser vingativos, porque esses são nossos irmãos e nós temos a esperança de que eles mudem".

     Se o acusado negar a acusação, o testemunho da vítima, apenas, não é suficiente a menos que haja, no mínimo, uma outra testemunha do ato. A igreja afirma que essa política se baseia na ordem das Escrituras, registrada em Deuteronômio 19:15 que diz que duas ou três testemunhas são necessárias para provar que um homem cometeu pecado.

     Heidi Meyer, uma Testemunha de Jeová de terceira geração, de Annandale, Minnessotta, disse que foi aos seus anciãos em 1994, quando tinha 15 anos, para informar-lhes que ela havia sido repetidamente molestada, dos 10 aos 13 anos, por uma co-Testemunha, oito anos mais velho do que ela, o irmão mais velho de um amigo. A única testemunha ocular foi seu irmão que uma vez viu o homem agarrar suas nádegas quando ela saía do carro.

     Ela disse que os anciãos fizeram perguntas explícitas que a deixaram desconfortável. De acordo com um documento interno das Testemunhas, "Prestai Atenção a Vós Mesmos e a Todo o Rebanho", os anciãos precisam determinar em que categoria se enquadrava a acusação: se era "impureza", tocar uma vez a região acima da cintura; "conduta desenfreada", tocar abaixo da cintura ou mais de uma vez acima da cintura, ou, a mais severa, "porneia", estímulo sexual direto ou atividade resultando em orgasmo. Cada ofensa tem uma penalidade diferente, sendo a "porneia" a mais severa.

     O homem que ela acusava insistiu que a Srta. Meyer entendeu errado o que aconteceu. Os anciãos concordaram.

     "Eu esperava orientação espiritual", disse a Srta. Meyer, "esperava que eles genuinamente, sinceramente, tentassem buscar a justiça e protegessem o resto da congregação, para que isso não voltasse a se repetir. E nada disso aconteceu".

     Ela, como várias outras supostas vítimas e seus parentes, disseram que em entrevistas com os anciãos, foram alertadas para não reportar à polícia o abuso e não falar sobre ele com os demais membros.

     "Eles me disseram que se eu falasse sobre o assunto com alguém, que tivesse muito cuidado porque poderia enfrentar uma comissão judicativa por difamação e tagarelice", disse ela, "se eles achassem que eu cometi esses pecados, eu seria desassociada".

     A Srta. Meyer disse que, apenas alguns anos mais tarde soube que Amber Long, outra jovem mulher da congregação, que à idade de 12 anos tinha ido aos anciãos, com os seus pais, para relatar que tinha sido molestada pelo mesmo homem. A Srta. Long, agora com 23 anos, disse que ela e seus pais receberam uma carta das Testemunhas avisando-as para "deixar nas mãos de Jeová".

     "Disseram-me que não deveríamos cultivar maus pensamentos sobre nossos irmãos", disse a Srta. Long, "desde que não havia duas testemunhas, não havia muito que eles pudessem fazer".

     Nem a Srta. Long, nem a Srta. Meyer, são Testemunhas de Jeová ativas. Em 2 de Julho, as duas mulheres entraram com uma ação contra o homem que acusam tê-las molestado - Derek Lindala, 30, de South Haven, Minnessotta, contra a congregação local e contra a sede das Testemunhas de Jeová. O Sr. Lindala não respondeu a uma mensagem deixada em sua casa solicitando comentários.

     Bárbara Anderson, de Tullahoma, Tennessee, disse que quando ela e seu marido viviam e trabalhavam nos escritórios da igreja, em Brooklyn, nos anos 90, solicitou-se-lhe que juntasse as informações sobre o abuso de crianças nas congregações. Ela disse que encaminhou para os líderes da igreja dúzias de cartas reclamando sobre como os casos foram tratados. Para ela, isso foi uma revelação.

     "As Testemunhas de Jeová gostam de dizer que têm uma das mais íntegras organizações", disse a Sra. Anderson. "Mas todos os problemas são levados aos anciãos e os anciãos os ocultam". Ela disse que os documentos provocaram um debate entre os líderes da organização e quando não houve nenhum resultado, ela deixou os escritórios desiludida, depois de 11 anos de serviço voluntário.

     Carl A. Raschke, professor de estudos religiosos da Universidade de Denver que escreveu sobre as Testemunhas de Jeová, disse que o grupo não é muito diferente de muitas outras religiões isoladas que aspiram para si a pureza moral e teológica.

     "Grupos que tendem a ser muito restritos e fechados têm uma grande incidência de abuso sexual e incesto", disse o Dr. Raschke. "Este é um fato etnológico. Quando uma religião tenta ser totalmente santa ou piedosa, não reconhece que as pessoas não estão vivendo de acordo com os ideais da fé".

     Em 25 de Julho a Sra. Anderson foi excomungada. Uma semana depois, seu marido, Joe, que anteriormente havia renunciado como ancião depois de 42 anos, também foi expulso.

     "É inconcebível achar que os anciãos podem investigar uma acusação de assassinato para determinar a culpa ou a inocência. Então, por que podemos investigar uma acusação de abuso de criança?", escreveu em sua carta de renúncia o Sr. Anderson. "Esta não é a nossa área de especialização. Somos ministros de Deus, não policiais".

N.T.

Notícia publicada no The New York Times de 11-08-2002.

Tradução dos recortes do The New York Times colocados no site

http://watchtowernews.org/nytimes081102.htm

Também pode ser lida, na íntegra, em inglês, no site:

http://www.nytimes.com/2002/08/11/national/11WITN.html?ex=1029729600&en=82ca5365a6f11309&ei=5040




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