Make your own free website on Tripod.com
 
Cabecalho
   
 



Você é o visitante número



Página Inicial

Autor

Apresentação

Carta de Dissociação

Cartas

Fotos

Notícias

Relatos e Experiências Pessoais

Artigos

Livro de visitas

Links p/ outros "sites"

Transcrição NBC DATELINE da Exposição Sobre o Acobertamento de Testemunhas de Jeová Pedófilas


PROGRAMA: Dateline 

DATA: 28 de maio de 2002 

 

TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO 

NARRADOR: De nossos estúdios, em Nova York, aqui está Jane Pauley. 

JANE PAULEY: Boa noite! Em algum momento poderá deixar de ser novidade-vez por outra uma pessoa vem a público falar que foi molestada sexualmente quando criança por uma figura religiosa confiável-mas esse ainda não é o caso, pois esta noite não são sacerdotes que estão sob ataque. De fato nossa história começa muito antes que viesse a público o escândalo de janeiro passado envolvendo a Igreja Católica. O cenário do alegado abuso é muito semelhante mas as conseqüências do 'dia seguinte' para pessoas cuja fé era o centro de suas vidas podem ser cruéis e profundas. Aqui está John LARSON. 

JOHN LARSON relatando: 

Numa cidade pequena, como Otelo, Washington, os vizinhos freqüentemente são amigo e amigos como membros da família, o que torna a história qe irão ouvir ainda mais dolorosa. Porque para Erica Garza, que cresceu aqui, ninguém era mais próximo, ninguém era mais confiável do que o melhor amigo de seus pais. 

(Othello; casas; Othello placa do limite da cidade; Erica Garza; Manuel Beliz) 

Srta. ERICA GARZA: Você nunca saberia, olhando para ele ou pelo modo dele agir o que ele fazia às escondidas. 

LARSON: (Voz ao fundo) O que aquele amigo, Manuel Beliz estava fazendo era molestando, abusando sexualmente, de Érica. Ela diz que ele começou quando ela tinha apenas cinco anos de idade. 

(Foto de Beliz; Foto de Erica) 

Srta. E. GARZA: Eu me lembro de tudo com se tivesse acontecido ontem! 

LARSON: Qual foi a sua reação quando ele a tocou pela primeira vez? 

Srta. E. GARZA: Não sabia como reagir ou o que sentir. 

(Voz ao fundo) Só me lembro que doeu. 

(Foto of Erica) 

Srta. E. GARZA: Além de qualquer coisa, eu me lembro da dor. (De um vídeo caseiro) (Ininteligível)...meu irmão. 

LARSON: (Voz ao fundo) Uma dor que aumentou, ela disse, porque seu molestador a pressionou para manter tudo em segredo. E, embora isso não possa ser surpresa para ninguém, esta não é a história de um molestador tentando se manter nas sombras. Esta é a história de outros que podem ter tido um papel não apenas no abuso de Érica, mas, também, no abuso de outras vítimas. 

(Vídeo caseiro; Beliz; sombra; foto da congregação cantando; pessoas segurando seus hinários) 

Srta. E. GARZA: Eles não se importaram com o que aconteceu. Tudo o que fizeram foi tentar ocultar os fatos. 

LARSON: (Voz ao fundo) Ambos, Érica e seu molestador, eram membros da mesma igreja, as Testemunhas de Jeová. 

(Placa da igreja) 

(São mostrados trechos do vÍdeo da Sociedade Torre de Vigia) 

LARSON: (Voz ao fundo) As testemunhas de Jeová são os cristãos evangélicos mais conhecidos por irem de porta em porta com a revista Despertai! nas mãos. As Testemunhas de Jeová têm seis milhões de membros no mundo todo e algumas regras controversiais - nada de aniversários ou Natal, nada de transfusões de sangue, nenhum serviço militar, nada de saudar a bandeira - algumas das quais os separam e até mesmo os isolam do restante da América. De fato, no mundo das Testemunhas de Jeová, qualquer pessoa de fora da igreja - a maioria de vocês que agora vêm este programa - são considerados como parte do mundo de Satanás, um mundo que, conforme retratado na literatura da igreja, será destruído por Deus. As verdadeiras Testemunhas de Jeová, aqueles que seguem de perto as normas da igreja, sobreviverão para viver para sempre numa terra perfeita. 

Mas agora, surgem acusações de que a igreja, governada desde seus escritórios centrais em Nova York, chamada de Sociedade Torre de Vigia, está acobertando casos de molestamento de crianças, protegendo molestadores e guardando segredos que colocam em risco as crianças. Considere o que aconteceu com Érica Garza. Quando ela tinha 16 anos, a família de Érica se mudou para uma nova casa e para um novo Salão do Reino na Califórnia, onde ela um dia encontrou coragem para contar à sua família seu terrível segredo. E, o que fez Reuben Garza, seu pai? 

Relatou o caso à polícia? 

(Trechos do video da Sociedade Torre de Vigia; congregação, membros da congregação; mulher sendo batizada, menino sendo batizado, livros, desenhos artísticos, a cidade de Nova York, o prédio da Torre de Vigia; foto de Érica com a família). 

Sr. REUBEN GARZA: Não, nunca falei de relatá-lo à polícia. 

(Voz ao fundo) Cuidei do assunto na congregação. 

(Salão do Reino) 

LARSON: (Voz ao fundo) Reuben Garza, que era um dos ministros ordenados da igreja ou 'anciãos', disse que fez precisamente o que os líderes das Testemunhas de Jeová lhe ensinaram. E portanto, ao invés de ir à polícia, ele e sua esposa chamaram os anciãos de Othello. 

(Foto of Reuben Garza; foto da família Garza) 

LARSON: Mas deixe-me dizer o óbvio: Quero dizer, sua filha foi estuprada. Você não pensou: 'Tenho que ir à policia'? 

Sra. ALEXANDRA GARZA: Esta foi minha primeira reação mas, como Testemunha, primeiro temos que ir aos anciãos quando temos um problema. 

LARSON: (Voz ao fundo) Mas os anciãos também não foram à polícia. Por que? Bem, legalmente eles não tinham que fazê-lo. Apenas 16 estados exigem que os membros do clero relatem todos os casos de suspeita de abuso infantil e o estado de Washington não é um desses 16 estados. Ao invés disso, os líderes da igreja abriram seu próprio processo de investigação interna. Esta é uma das coisas que tornam as Testemunhas de Jeová diferentes das demais religiões. A igreja tem seu próprio sistema judicial. 

(Salão do Reino; alternadamente; Othello; Salão do Reino) 

LARSON: Sempre que um membro da igreja é acusado de fazer algo errado - quer por ter quebrado uma das regras da igreja como fumar, cometer um pecado como adultério ou mesmo cometer um crime como estupro - a igreja local designa uma comissão especial de anciãos para investigar a acusação. Se o acusado for considerado culpado ele pode ser repreendido ou, no pior dos casos, pode vir a ser chutado da igreja, desassociado, sendo isolado de seus amigos e de sua família, perdendo sua oportunidade, conforme eles acreditam, de vida eterna. Para uma Testemunha de Jeová não há maior punição do que esta. 

(Voz ao fundo) Érica Garza esperava que seu molestador finalmente fosse desassociado. Mas depois de esperar cinco meses que a igreja de Othello agisse, ela ficou irada e fez o inimaginável. 

Srta. E. GARZA: Então chamei os anciãos e disse: 'Olhem, estou indo para a polícia'. 

LARSON: E o que eles disseram? 

Srta. E. GARZA: 'Não, ou melhor...' 

LARSON: Ou melhor o quê? 

Srta. E. GARZA: Foi isso que eu perguntei: 'Ou melhor o quê?' E ele respondeu: 'Simplesmente não'. 'O quê? Eu serei desassociada se for á polícia? É isso que vai acontecer comigo? E ele respondeu: 'Sim, você será desassociada. E eu retruquei:'O quê? Vocês vão me desassociar porque fui estuprada enquanto que o cara que me estuprou continuará como Testemunha de Jeová?' E eles me disseram:'Não! Não vá à polícia. Você será condenada por Deus'. 

LARSON: (Voz ao fundo) Isso foi em outubro de 1996 e Érica disse que finalmente decidiu que, qualquer que fosse o castigo, ela tinha que ir à polícia. Depois de uma investigação, Manuel Beliz foi acusado de molestamento e estupro. E a igreja? Érica diz que seu Salão do Reino na Califórnia não apenas a afastou como afastou também sua família. 

(Erica; Beliz; Salão do Reino) 

LARSON: Que aconteceu? 

Sr. GARZA: Fui removido do cargo de ancião. 

LARSON: Então eles chutaram você. 

Sr. GARZA: Sim, eles o fizeram. 

LARSON: (Voz ao fundo) Érica sentiu-se violentada, mas o que ela não poderia saber naquela época, é que cerca de quatro anos depois, outra Testemunha de Jeová, desta vez um ancião, a 3.600 km de distância, se interessaria pelo caso dela. O ancião afirmou que possuía muitas evidências de que havia muito mais vítimas nos Salões do Reino das Testemunhas como a Érica. E ele, agora, também, estava decidido a romper com a igreja e ir lá fora para o lugar que as Testemunhas acreditam ser os domínios de Satanás - o mundo exterior - para expor os segredos da igreja. 

(Erica; Bill Bowen; agenda do encontro) 

LARSON: Falando comigo, neste momento, é como se estivesse falando com Satanás. 

Sr. BILL BOWEN: Está correto. Estou atacando a Deus, é como você comentou. 

LARSON: Sob a ótica da igreja, sentando neste momento conosco. 

Sr. BOWEN: Sim. 

LARSON: (Voz ao fundo) Bill Bowen é um fabricante de velas e uma antiga Testemunha de Jeová. Tudo começou, disse ele, há cerca de dois anos atrás quando ele estava preenchendo os registros confidenciais no Salão do Reino local e deu com esta carta. Ela continha a confissão datada dos anos 80, de um caso de molestamento que a igreja, segundo ele, varreu para debaixo do tapete. 

(Bowen fabricando velas; carta; trechos da carta) 

LARSON: Quantos anos tinha esta criança envolvida neste caso? 

Sr. BOWEN: Pelo que li do material, parece-me que ela tinha cerca de 11 anos. 

LARSON: (Voz ao fundo) E o confirmadamente molestador? Um homem que Bowen conhecia bem, um co-ancião que apenas recebeu da igreja uma palmada na sua mão, pois o caso nunca foi relatado à polícia. Irado, Bowen colocou na internet uma mensagem para ver se haviam outros casos semelhantes. A resposta, ele disse, foi uma enxurrada de dor e frustração. 

(Congregação cantando; Bowen digitando; respostas na tela do computador) 

Sr. BOWEN: Todos estes são Testemunhas de Jeová que foram molestadas e silenciadas dentro da igreja. 

LARSON: (Voz ao fundo) Bill Bowen não está afirmando que as Testemunhas de Jeová têm mais molestadores do que as outras denominações religiosas. O problema, diz ele, é como a igreja lida com os casos que são trazidos à sua atenção. Como o caso de Daniel Fitzwater, um ancião das Testemunhas de Jeová em Nevada. Bowen descobriu que, de acordo com os próprios registros internos da igreja, os responsáveis da igreja sabiam de 17 meninas que acusaram Fitzwater de molestá-las. Mas a polícia disse que a igreja jamais passou para ela essa informação. Bowen descobriu também que em New Hampshiore, Paul Berry espancava e torturava sexualmente sua enteada, Holly Brewer, desde quando ela tinha quatro anos. Mas a mãe de Holly diz que quando ela se queixou aos anciãos da igreja que Berry estava espancando Holly e seus outros filhos, os anciãos disseram-lhe para ser uma esposa melhor e para orar mais. Ela também disse que eles nunca informaram à polícia, conforme exigido pelas leis do estado. A igreja nega, afirmando que ela nunca relatou sobre os abusos. Holly, mais tarde, fugiu de casa e, diz ela, se desfigurou com tatuagens e 'piercings' em resposta ao abuso que sofreu. 

(Prédio da Torre de Vigia; foto de Daniel Fitzwater; registros da igreja; trechos dos registros; foto de Paul Berry; foto de Holly Brewer, foto da família, Salão do Reino, Foto de Holly) 

Srta. HOLLY BREWER: Eu comecei a internalizar a dor. Eu realmente o fiz. Começando por mim mesma, 'Eu quero me enfear. Quero me tornar tão feia quanto puder ***(como citado)***. Não quero que nenhum cara me bata. Não quero ser atraente para as pessoas'. 

LARSON: (Voz ao fundo) Tanto Paul Berry, em New Hampshire e Daniel Fitzwater, em Nevada, foram condenados recentemente por crimes sexuais e estão agora na prisão. Mas Bill Bowen diz que muitos outros na igreja, acusados de abuso sexual, nunca foram entregues à polícia. É uma queixa, diz ele, que tem ouvido de centenas de membros da igreja, atuais e antigos, embora ele não pudesse ter constatado. 

(Fotos de Berry e Fitzwater; Bowen falando com o repórter; texto na tela do computador. 

Sr. BOWEN: Dentro da organização é o paraíso dos pedófilos. Eu acredito nisto. 

LARSON: Será que você foi envolvido por tudo isso a ponto de - de perder por completo o senso de realidade? Quero dizer, paraíso dos pedófilos? Por favor! 

Mr. BOWEN: Eu acredito nisso de todo o meu coração. 

(Voz ao fundo) Há um grande problema na organização. 

(Bowen) 

LARSON: (Voz ao fundo) Mas, Bill Bowen é apenas um homem, numa das congregações de Kentucky. Esta mulher, Bárbara Anderson, trabalhou por uma década nos escritórios da sede das Testemunhas de Jeová. Quando Anderson viu as mensagens de Bowen na Internet ela percebeu que tinha que dizer-lhe que havia muito mais histórias, envolvendo crianças em mais de 11.000 congregações através do país. 

(Bowen; Barbara Anderson; carta na tela do computador; Anderson) 

Sra. BARBARA ANDERSON: Não acredito que elas estejam seguras dentro de suas igrejas. 

LARSON: (Voz ao fundo) Anderson era uma pesquisadora na Sociedade Torre de Vigia no início dos anos 90 quando um funcionário do alto escalão lhe pediu para que pesquisasse como a igreja estava lidando com os casos de abuso sexual. O que ela encontrou, disse ela, a enojou: centenas de casos de molestamento registrados, todos mantidos em segredo nos arquivos da igreja - secretos não apenas para o mundo exterior, mas para os próprios membros, as famílias, as mães e pais e crianças que confiam que a igreja está zelando por eles. 

(Prédio da Watchtower; Anderson; gavetas de arquivos) 

Sra. ANDERSON: Creio que se eles solicitassem para examinar os registros da congregação, eles veriam que existem muitos envelopes com documentos que citam homens - ou mulheres - na congregação que foram acusados de molestar uma criança. 

LARSON: (Voz ao fundo) Por que deseja a igreja manter em segredo e no seu âmbito interno esses casos? Anderson acredita que parte do problema é o desprezo da igreja para com o mundo externo, mas ela diz que as coisas não são tão simples assim. Anderson afirma que, quando os anciãos investigam crimes de molestamento infantil, eles seguem instruções que podem impedi-los de tomar qualquer atitude - antigas instruções, tiradas diretamente da Bíblia. 

(Prédio da Torre de Vigia; Bíblia) 

Sra. ANDERSON: Eles basicamente utilizam o texto de I Timóteo 5:19 que diz: 'não deveis acusar um homem mais maduro a menos que existam duas ou três testemunhas'. 

LARSON: Quais são as probabilidades de haver duas ou três testemunhas quando um homem mais velho molesta uma garota de oito anos? 

Sra. ANDERSON: É certo que nenhum molestador terá qualquer testemunha de seus atos. 

Sr. BOWEN: Sua investigação se limitará a ir até o pedófilo e dizer: 'Você o fez? Não? Bem, OK. Acho então que é melhor irmos embora. Desculpe por o termos incomodado.' 

(Falando ao telefone) Ele lhe fez alguma pergunta? 

LARSON: (Voz ao fundo) Bill Bowen diz: se você quiser ter uma idéia de como a igreja varre os casos para debaixo do tapete... 

(Bowen falando ao telefone; tráfego nas pontes) 

Escritórios #1: (No telefone) Watchtower, boa tarde! 

LARSON: (Voz ao fundo)... apenas preste atenção a parte de uma conversa com um membro do Departamento Legal das Testemunhas de Jeová, que Bowen gravou há pouco mais de um ano atrás. 

(Cidade de Nova York) 

Recepcionista nos Escritórios: (Ao telefone) Departamento Legal, boa tarde! 

LARSON: (voz ao fundo) Bowen ligou solicitando orientação sobe como lidar com um caso de suspeita de molestamento, envolvendo uma jovem menina e seu pai. Ao invés de ser orientado para relatar o caso à polícia, foi dito a Bowen que confrontasse o suspeito de abuso. 

(Cidade de Nova York; Bowen falando ao telefone) 

Escritórios #2: (Ao telefone) Você apenas pergunta a ele novamente: 'E aí, você tem algo a ver com isso?' Se ele disser: 'Não', então você o deixa em paz. 

Sr. BOWEN: (Ao telefone) Sim. 

Escritórios #2: (Ao telefone) Deixe nas mãos de Jeová! Ele fará com que o pecado venha à tona. 

Sr. BOWEN: (Ao telefone) Sim. 

Escritótios #2: (Ao telefone) Mas não se meta em confusão! 

LARSON: (Voz ao fundo): Novamente, não há qualquer admoestação no sentido de levar o assunto às autoridades lá fora, no mundo. Bowen afirmou que ficou tão aborrecido com toda essa história que renunciou como ancião da igreja e se dedicou a ajudar as vítimas de abuso. Ele não sabia que, do outro lado do país, Érica Garza, com o mesmo sentimento de frustração, se preparava para enfrentar no tribunal seu molestador. 

(Bowen e mulher; Erica e família) 

LARSON: Algum desses anciãos ou qualquer outra pessoa da igreja se levantou e falou a seu favor? 

Srta. E. GARZA: Não. 

LARSON: (voz ao fundo) Mas Érica estava prestes a descobrir que ela não estava de fato sozinha nesta luta. 

(Anúncios) 

Locutor: DATELINE NBC, ganhador de 10 prêmios Headliner por excecelência em jornalismo. A revista eletrônica mais respeitada e mais vista da América, DATELINE, voltará logo. 

(Anúncios) 

Locutor: De nossos estúdios no Rockfeller Center, aqui está Stone Phillips. 

STONE PHILLIPS: Ela tinha apenas cinco anos, quando, segundo ela afirma, foi molestada pela primeira vez por um membro respeitado de sua congregação das Testemunhas de Jeová. Agora, como uma jovem mulher, Érica Garza quer que seja feita justiça. Ela afirma que os líderes da igreja ameaçaram-na de expulsão se ela fosse à polícia, mas ela foi assim mesmo e agora seu suposto molestador está sendo julgado por molestamento e estupro. 

LARSON: (Voz ao fundo) O molestador acusado de Erica Garza compareceu ao tribunal com todo o suporte. 

(Tribunal; sala de audiências vazia) 

Srta. GARZA: (Voz ao fundo) O lado dele estava cheio de Testemunhas de Jeová. 

(Sala de audiências vazia) 

Srta. GARZA: Pessoas que eu achei que fossem minhas amigas, mas eles estavam lá para apoiá-lo. Do meu lado estava minha família. 

LARSON: (Voz ao fundo) Embora Beliz tenha, aparentemente, confessado seus crimes para os anciãos da igreja, parece que isso fazia pouca diferença. Ele foi expulso da igreja, mas apenas temporariamente. Os anciãos permitiram que ele fosse reintegrado à igreja antes do julgamento. John White, o ancião mais graduado da congregação, esclareceu na audiência do tribunal: 

(Beliz e homem; entrando no Tribunal; John White) 

Sr. JOHN WHITE: (De uma fita de áudio) Ficamos satisfeitos de que ele tenha se arrependido e que pudesse ser novamente admitido na congregação. Para nós isso não é problema. 

LARSON: (Voz ao fundo) White também informou ao Tribunal, que quando um membro da igreja é chamado perante os anciãos e admite um crime, eles consideram isso como uma confissão religiosa e que, assim como um padre ou um rabino, ele e outros anciãos têm boas razões para não divulgar a confissão no Tribunal. 

(Sala de audiências vazia) 

Sr. WHITE: (De uma fita de áudio) As Testemunhas de Jeová não desejam proteger criminosos ou pessoas perigosas. Mas desejamos manter a confidencialidade porque se isto nos for tirado, quando as pessoas confessarão algo? 

LARSON: Alguém disse 'Entendemos o sofrimento pelo qual passou essa garota?' 

Srta. E. GARZA: Eles disseram que se sentiam tristes por minha causa. 

LARSON: (Voz ao fundo) Mesmo sem o apoio da igreja ou o testemunho dos anciãos que, segundo Érica, sabiam o que tinha acontecido, em agosto de 1998, Manuel Beliz foi condenado por duas acusações de estupro e duas acusações de molestamento de crianças. Ele foi sentenciado a 11 1/2 anos de prisão, mas apenas depois de dois anos cumprindo a pena, sua condenação foi questionada devido a uma tecnicalidade relacionada a como o júri foi selecionado. Érica se expôs, enfrentou seu molestador, chegou mesmo a desafiar a sua igreja, mas agora ele estava saindo da prisão. 

(Salão do Reino; foto de Beliz; prisão; sala de audiências vazia; Érica) 

Srta. E. GARZA: Eu estava tão desapontada, tão triste tão amargurada e não sabia o que fazer. 

LARSON: (Voz ao fundo) Manuel Beliz foi libertado e está aguardando novo julgamento. No verão passado, DATELINE o encontrou novamente no Salão do Reino, pronto para se juntar a outros para ir de porta em porta, evangelizando para a igreja. 

(Beliz) 

Srta. E. GARZA: Isso me entristece porque eu fui estuprada e eu fui - estou sendo evitada e ele, que me estuprou... ele está sendo amado. Isso me...me causa um frio na espinha só de pensar. 

LARSON: (Voz ao fundo) Como respondem os líderes das Testemunhas de Jeová às acusações de que estão tentando ocultar casos como o de Érica? Eles não aceitaram um convite para gravar uma entrevista, mas conversaram conosco fora das câmeras e nos forneceram uma declaração gravada em vídeo pelo locutor J. R. Brown da sua política. 

(Prédio da Watchtower; trechos da fita de vídeo) 

Sr. J. R. BROWN: (da fita de vídeo) As Testemunhas de Jeová vêem o abuso de crianças como um mal. É um mal de nosso tempo, é um mal em nossa sociedade e, portanto, nós o repudiamos. 

LARSON: (Voz ao fundo) Os representantes da igreja disseram que publicam artigos como este, educando os membros e treinando os anciãos a como ajudar as vítimas de abuso. A igreja também afirma que se exige que os anciãos investiguem quaisquer denúncias de abuso e medidas são adotadas para proteger as supostas vítimas de novos abusos. E, embora admitam que os molestadores arrependidos são readmitidos na igreja, eles afirmam que não se permite que molestadores conhecidos assumam posição de responsabilidade na igreja. Eles também insistem que a igreja cumpre toda as a leis, relatando os abusos naqueles estados em que isso é exigido, mesmo quando há apenas uma testemunha do crime. Mas, nos estados onde isso não se requer, eles disseram que não desencorajam as vítimas de relatar o abuso às autoridades. 

(Artigos de revista; nome da igreja num prédio; congregação cantando) 

Sr. BROWN: (Da fita de vídeo) Quando surge o assunto de relatar à polícia, então isso é algo que os pais podem decidir. Certamente nós nunca dizemos a eles para não relatar um caso de molestamento de crianças. 

LARSON: (Voz ao fundo) Numa carta ao DATELINE, o conselho geral da igreja acrescentou que "é possível que uns poucos dos 77.799 anciãos das Testemunhas de Jeová não tenham seguido a orientação que lhes foi dada de investigar e relatar casos de abuso de crianças." 

(Cartas; trechos das cartas) 

LARSON: A pergunta que fica sem resposta, entretanto, é porque se envolve a igreja na investigação daquilo que é um assunto da polícia? E com que freqüência promovem um dos seus ao posto de autoridade? Pedimos à igreja alguns exemplos que provassem que eles são tão rigorosos com os seus membros que abusam de crianças como eles dizem que são. A igreja demorou seis meses, mas finalmente nos ofereceram dois casos. E nesses casos observamos algo. Em ambos os casos as vítimas eram Testemunhas de Jeová mas os supostos molestadores não eram. Eram não-crentes de fora da igreja. 

(Voz ao fundo) De fato, só pudemos encontrar dois casos em que a igreja teve um papel importante no indiciamento de um dos seus, incluindo o caso deste homem, Clement Pandello. 

(Clement Pandello) 

Voz fora da tela: Sr. Pandello... 

LARSON: (Voz ao fundo) Pandello, visto aqui em vídeos caseiros... 

(Trecho de videos caseiros) 

Garota não identificada: (No vídeo caseiro) ... no meio. 

LARSON: (Voz ao fundo) … confessou aos anciãos da igreja que ele molestara sua própria neta. 

(Trechos dos videos caseiros) 

Sr. CLEMENT PANDELLO: (No vídeo) Terão que expulsá-lo da escola se colocarem um na sua cabeça. 

LARSON: (Voz ao fundo) Como tratou isso a igreja? Os pais da jovem vítima, o próprio filho e nora de Pandello, também Testemunhas de Jeová, disseram ao DATELINE que a igreja os pressionou a aceitar um acordo no qual Pandello reconhecia ser culpado de contato sexual criminoso e de colocar em perigo a saúde emocional de uma criança. Ele foi apenas colocado sob prova, não sendo preso. E o que disseram os anciãos da igreja, para Bárbara e Carl Pandello? 

(Trechos de vídeos familiares; Carl e Barbara Pandello caminhando na praia; trechos de vídeos familiares) 

Sr. CARL PANDELLO: Deixamos que as coisas seguissem o seu rumo. Não era ainda o tempo para Jeová lidar com o assunto. 

LARSON: (Voz ao fundo) A igreja afirma que isso não é verdade e a igreja, aparentemente, desassociou Clement Pandello duas vezes distintas. Mas, cada vez, ela o recebeu de volta de braços abertos. Portanto, onde está hoje esse declarado molestador de crianças, um homem que, segundo os registros dos tribunais, admitiu molestar meninas durante toda a sua vida? DATELINE o encontrou indo de porta em porta, uma Testemunha de Jeová bem conceituada, evangelizando pessoas que nada sabem sobre seu registro. Seu próprio filho, Carl, disse que a igreja deveria conhecer melhor. 

(Clement) 

Sr. CARL PANDELLO: Ele é um predador sexual. Quando ele vai de porta em porta, ele anseia por jovens meninas. Enquanto ele está ali, ele olha para aquela criança cheio de pensamentos imorais. 

LARSON: Vocês sabem que a igreja agora diz que esse não é um problema específico dela. É um problema da sociedade e eles fazem tudo o que podem para impedir que os molestadores prejudiquem as crianças dentro das igrejas das Testemunhas de Jeová. O que você diria a eles? 

Srta. E. GARZA: Mentirosos. 

LARSON: (Voz ao fundo) Embora o seu estuprador tenha sido libertado devido a uma tecnicalidade, Érica Garza não o deixou descansar. No último verão, cerca de cinco anos depois do primeiro processo, Érica voltou ao tribunal. Mais uma vez, nenhuma Testemunha de Jeová de sua antiga igreja estava lá para dar-lhe apoio. Mas desta vez ela não estava sozinha. 

(Beliz; Erica e outros) 

Sr. BOWEN: ...recebemos comentários de todas as partes do país... 

LARSON: (Voz ao fundo) Aquele ancião franco de Kentucky, Bill Bowen, estava lá. 

(Erica falando com Bowen) 

Sr. BOWEN: Só para nivelar as coisas. 

LARSON: (Voz ao fundo) E Bowen criou um novo grupo de apoio para Testemunhas de Jeová abusadas sexualmente. E mais de 20 pessoas que ouviram sobre o caso através do seu site na 'Web' estavam lá para apoiar Érica. 

Srta. GARZA: Obrigado a todos por estarem aqui. Estas são pessoas que não me conheciam e que vieram de todos os lugares, por minha causa. Estiveram lá por minha causa, porque entenderam: 'Ei! Você não fez nada de errado!'. E foi muito encorajador ver as pessoas lá por minha causa... 

(Voz ao fundo) ...conforme questionado por ele. 

(Pessoas entrando na sala de audiências) 

LARSON: (Voz ao fundo) No tribunal, Manuel Beliz sentou no banco dos réus. Ele negou ter molestado Érica, mas admitiu tê-la tocado de maneira imprópria. Mais uma vez. Beliz foi considerado culpado. 

(Sala de audiências vazia; foto de Beliz) 

Srta. E. GARZA: Culpado, culpado, culpado, culpado! 

LARSON: (Voz ao fundo) Érica Garcia afirma que foi-lhe feita justiça, a despeito de sua igreja. 

(Érica, Reuben e Alexandra saindo do tribunal) 

Srta. E. GARZA: Oh, não posso acreditar. Em todas as quatro acusações. 

Mr. GARZA: Apenas um pouco de justiça. Você a merece. 

Srta. E. GARZA: Obrigado meu Deus! Obrigado Senhor! 

LARSON: (Voz ao fundo) Seu molestador foi mandado para a prisão para cumprir pena de 11 e 1/2 anos. 

Srta. E. GARZA: Obrigado por sua ajuda, Bill. 

Sr. BOWEN: Tudo acabou. 

Sra. ANDERSON: Você vai dormir bem esta noite, não vai? 

Srta. E. GARZA: Sim. 

LARSON: (Voz ao fundo) Tudo o que Érica deseja agora, ela diz, é que a igreja mude sua política e dê um conselho simples às vítimas. 

Srta. E. GARZA: 'Vá à polícia!' Ei! Me encoraje a ir relatar o caso para a polícia! Não me diga que não! 

PHILLIPS: Érica Garza e Holly Brewer estão processando a Sociedade Torre de Vigia e suas congregações locais. A igreja está empenhada na luta na justiça. A igreja também disse ao DATELINE que, embora alguns sabidamente pedófilos ainda vão de porta em porta, eles não são permitidos fazê-lo sozinhos. 

Finalmente, quatro dos entrevistados por DATELINE, o ex-ancião Bill Bowen, Bárbara Anderson, e Carl e Bárbara Pandello, estão encarando a possível expulsão de suas congregações. 

N.T. - Este texto foi traduzido da matéria exposta no 'site' no endereço a seguir:

 
marcador http://www.watchtowerinformationservice.org/dateline.htm

 


Separador

 Página Inicial   Autor   Apresentação   Carta de Dissociação 

 Cartas   Fotos   Notícias   Relatos e Experiências Pessoais 

 Artigos  Livro de visitas   Links p/ outros "sites"

Para me contatar mande uma mensagem para:  paraperp@gmail.com